sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Metroviários Impulsionam Campanha Contra Homofobia em defesa de companheiro agredido.

BASTA DE VIOLÊNCIA HOMOFÓBICA! DANILO E RAPHAEL: ESTAMOS COM VOCÊS!

Por Metroviários pela Base, que constrói o Movimento Nossa Classe




Nós, do Metroviários pela Base, repudiamos mais um caso de homofobia dentro do metrô que vitimou o metroviário Danilo Putinato e seu companheiro Raphael Martins no domingo dia 09/11. Danilo e Raphael foram covardemente agredidos por um grupo de cerca de 15 homens dentro de uma composição da linha 1-Azul do metrô quando Danilo se dirigia ao trabalho. A partir de insultos homofóbicos deu-se início às agressões físicas. Em meio a chutes, socos e pontapés os dois conseguiram sair de dentro da composição e pedir ajuda aos funcionários da estação Luz; Raphael com o nariz quebrado, sangrando e com várias escoriações pelo corpo e Danilo também com escoriações. O metrô deu início ao atendimento de rotina para a agressão: ofereceu atendimento hospitalar e os encaminhou para a DELPOM (delegacia de polícia do metropolitano), porém, os agressores continuam impunes. O boletim de ocorrência registra o fato como lesão corporal e não como homofobia, já que a discriminação e intolerância contra homossexuais não é crime de acordo com o nosso código penal. O metrô tem por obrigação zelar pela integridade e bem estar de seus funcionário e usuários dentro de suas dependências. A companhia é responsável por aquilo que acontece em sua área e, assim sendo, espera-se que ela preste todo um auxílio às vítimas de maneira digna e mais humanizada e que também coloque todos os seus recursos para identificar os agressores além de arcar com todos os custos de tratamentos de saúde físicos e psicológicos de Danilo e de seu companheiro já que Danilo estava indo trabalhar, logo o que aconteceu foi acidente de trabalho e que seja tratado dessa forma pela CIPA das linhas 1 e 3 do metrô.





Além disso, não podemos aceitar que casos como esses sejam tratados como lesão corporal simplesmente! Isso é homofobia! Nós do Metroviários Pela Base nos solidarizamos com Danilo e Raphael e fazemos um chamado à categoria para que juntos iniciemos uma campanha intensa de luta pela criminalização da homofobia! Criminalização da homofobia já! Não dá mais para aceitar essa diferença de direitos de cada um expressar sua sexualidade. Essa não é uma agressão isolada, um homossexual é assassinado a cada 28 horas no Brasil. Mas essa para os metroviários tem um significado especial pois é um colega de trabalho nosso e precisamos tomar para nós uma campanha, encabeçada pelo Sindicato dos Metroviários, contra a homofobia.


















quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Marcos Vinicius, presente! Basta de vítimas de homofobia e transfobia!

Publicado originalmente: http://www.palavraoperaria.org/Marcos-Vinicius-presente-Basta-de-vitimas-de-homofobia-e-transfobia




Nos jornais e nas redes sociais, pelo menos mais três assassinatos homofóbicos foram divulgados neste domingo (16).

Marcos Vinicius Macedo Souza, de 19 anos, era um estudante que foi esfaqueado próximo ao parque do Ibirapuera, um dos lugares de maior referência na organização e nos encontros LGBT. Mais uma cena de terror. Amigos contam que depois de um encontro haviam se separado e não se reencontraram mais até que por gritos ouviram que alguém estava sendo atacado. Com diversas facadas, o jovem agonizava no mato onde foi encontrado. Foi levado ao pronto socorro, mas não resistiu.

Rachel, como era conhecida, de 40 anos, foi brutalmente assassinada em sua casa, quando duas pessoas bateram em sua porta pedindo um copo d’agua e a surpreenderam com tiros no Jardim Bela Vista, SP. O cabeleireiro José Wilson Alves, 39 anos, morador da zona norte de Natal, foi encontrado morto com os moveis revirados e manchas de sangue nas paredes. Além disso, Danilo Putinato e seu namorado Raphael Martins foram brutalmente agredidos dentro do metrô de SP no domingo dia 09.
Os brutais assassinatos de Marcos Vinicius, Rachel e Wilson não podem ficar impunes. Não podemos mais aceitar calados essa situação. É preciso organizar um grande movimento nos locais de trabalho e de estudo que vá às ruas lutar pela liberdade sexual e livre construção da identidade de gênero, exigindo que o Estado reconheça essa opressão criminalizando a homofobia. Somente com um movimento de milhares nas ruas, sendo expressão dos debates vivos impulsionados pelas entidades estudantis e os sindicatos, é que poderemos dar um basta nessa situação.

O "Brasil sem Homofobia" do PT não pode existir sem romper as relações com as bancadas evangélicas e o Vaticano

A crescente visibilidade que os inúmeros assassinatos de LGBT veem tomando: Kaique Augusto, João Donati, Geia Borghi, Marco Vinicius e tantos outros, escancara o título de "Brasil campeão da homofobia". Segundo relatório da ONG internacional Transgender Europe, o Brasil, entre janeiro de 2008 e abril de 2013, teve 486 mortes de transexuais. Em 2013, foram 312 gays, lésbicas e travestis brasileiros assassinados.

De janeiro a setembro deste ano, foram 218 mortes de LGBTs no país, dos quais 71 por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis apedrejados. Atualmente já somam 265 assassinatos. Proporcionalmente, nós travestis e transsexuais somos as que mais sofremos com isso, pois morremos em números iguais aos gays que representam cerca de 20 milhões, e nós não chegamos a 1 milhão.

Parece que os chamados de Levi Fidelix, Feliciano, Silas Malafaia e Bolsonaro têm surtido efeito. Com o kit-antihomofobia, (destinado a debater nas escolas as sexualidades não heterossexuais) vetado, com a continuidade dos acordos Brasil-Vaticano que garante isenção fiscal para as igrejas católicas e o direito de ministrar aulas religiosas nas escolas, com a participação de Marco Feliciano (PSC) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara durante todo ano passado reforçando sua ideologia de que homossexuais são doentes, e com os discursos de que os filhos são gays porque não apanharam direito de Bolsonaro, assim como o discurso para violência contra homossexuais de Levi Fidelix nos debates eleitorais, seguimos morrendo.

O governo do PT, que diz lutar contra a homofobia com seu projeto "Brasil sem homofobia", foi questionado dos pés à cabeça em Junho de 2013, entre tantos motivos pela seu papel na chegada de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Na recente eleição, Dilma disse demagogicamente que iria criminalizar a homofobia. Mas como pode reconhecer que os LGBT são tratados diferentemente dos heterossexuais se segue ao lado de Vaticano, das bancadas evangélicas e setores como Maluf, Sarney e tantos outros que necessitam nossa opressão para dividir a classe trabalhadora e sustentar assim essa democracia dos ricos?

Para que não sejamos mais expulsas de casa, para que não mais apanhemos dentro do transporte público, para que não sejamos assassinadas ou nos auto-mutilemos ou os auto- mediquemos pelas filas de anos para alcançar nosso tratamento hormonal ou cirurgia de transsexualização, é preciso romper com estes setores e garantir educação sexual nas escolas, criminalizar a homofobia, SUS estatal de qualidade com atendimento às trans e acabar com a precarização do trabalho.

Justiça e punição já! Seguiremos nas ruas para que sejam os últimos!

Se os dados comprovam que a cada cinco gays ou transgêneros assassinados no mundo, quatro são brasileiros. Que a cada 28 horas um homossexual é assassinado e que a perspectiva de vida de nós travestis é de apenas 35 anos. Nós não aceitaremos essa situação!
Convocamos neste domingo, junto ao Setorial LGBT da CSP-Conlutas, um ato exigindo investigação e justiça já para Marcos Vinicius! Pela criminalização da homofobia! Comissões de investigação independentes do Estado, formadas por familiares das vítimas, organizações LGBT e de direitos humanos, sindicatos e entidades estudantis.


TODOS AO ATO:

Domingo - 23 de Novembro

Parque Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral - Moema - São Paulo
Concentração Às 16 hrs!



Virginia fala sobre a defesa de trabalhadora trans em fábrica ocupada por trabalhadores na Argentina

Publicado originalmente em: http://www.palavraoperaria.org/Virginia-Guitzel-fala-sobre-a-defesa-da-trabalhadora-trans-em-fabrica-ocupada-por-trabalhadores-na-Argentina-Madigraf-Donnelley-transexual





Essa semana o IzquierdaDiário, diário digital impulsionado pelo Partido dos Trabalhadores Socialistas na Argentina, publicou uma entrevista com Nando, trabalhador da Madygraf (ex-Donnaley), uma gráfica que passou a ser controlada pelos trabalhadores sem os patrões após a tentativa de fechamento da mesma. Nesta entrevista ele relatava a defesa firme que os trabalhadores fizeram de uma companheira trans e das grandes discussões que tiveram no interior da fábrica sobre o tema.

Virgínia Guitzel, trabalhadora travesti na área de saúde mental do ABC Paulista, comentou: "O lema que carregam os trabalhadores de Madygraf ’Mexeu com um, mexeu com todos’ é uma concepção que não apenas fortalece os trabalhadores em sua unidade contra os patrões e o governo, como também garante que os próprios trabalhadores possam exercer sua sexualidade e identidade de gênero".

Continuou: "Os trabalhadores e as trabalhadoras, assim como a juventude negra e pobre, são os que mais sentem o peso da repressão sexual assegurada pelos governos em pacto com as grandes instituições religiosas. Essa experiência é um grande exemplo pois descobre uma verdadeira maneira de garantir na vida real, coisa que a lei mais avançada de identidade de gênero como na Argentina não poderia garantir: o respeito e à permanência no trabalho. Enquanto uma pequena parcela das travestis seguem com a vida dupla para garantir seus empregos quase sempre precarizados, a grande maioria segue relegada à ideia naturalizada da prostituição compulsória".

Em comparação com a vitoriosa greve da Universidade de São Paulo, Virgínia complementou: "Para nós, travestis e transexuais que estamos completamente invisíveis, a valente presença das mulheres trabalhadores da USP na linha de frente da greve que durou mais de 100 dias fortalece a voz feminina que grita contra nossa opressão. Essa marcante presença já me fortalecia. Mas foi a atitude do Comando de Greve de votar a delegação de 8 companheiros a participarem do ato por justiça à João Donati, jovem homossexual brutalmente assassinado, que recuperou uma das maiores subversões. Os trabalhadores tomando em suas mãos as demandas dos setores mais oprimidos. Depois, o debate organizado pela Secretária de Mulheres da USP sobre "Machismo, homofobia e transfobia" foi fundamental para dialogar com diversos companheiros que não entendiam ao certo o que sentimos e os assassinatos, agressões e mutilações que sofremos. Ali, diferentemente do que é de costume no sindicalismo brasileiro, se fortalecia uma relação profunda sobre a vida e a opressão que atinge setores amplos da população. Tanto para fortalecer a unidade contra a ideologia dominante como para criar uma relação mais profunda entre os próprios trabalhadores, extrapolando as barreiras da separação entre a vida e o trabalho".

Sobre as afirmações do trabalhador Nando sobre a relação entre o movimento LGBT e o movimento operário Virgínia concluiu: "Concordo inteiramente com a visão de que somos todos e todas trabalhadores lutando pela construção de uma nova sociedade. Esse exemplo concreto da defesa intransigente da identidade gênero da trabalhadora trans a abre a perspectiva que, hoje, o movimento LGBT, que abandonou o horizonte da emancipação sexual das massas populares, limitando-se a reivindicar a "ampliação de cidadania" para os citados na sigla, possa se reencontrar com as lutas operárias para golpear nossos mesmos inimigos com um punho só. Esse potencial revolucionário de encarar de maneira consequente o combate às opressões recupera as experiências mais avançadas da história da classe operária e das grandes transformações sociais. No Brasil, conhecido como país mais homofóbico do mundo, estes exemplos são as expressões concretas que justificam a esperança que tenho na humanidade e na construção de um mundo verdadeiramente livre, onde possamos ser quem somos e ter as condições de decidir e construir não apenas nossa sexualidade ou identidade individual, mas construir um novo ser humano a partir da organização social sem classes, sem Estado e sem qualquer tipo de exploração ou opressões".


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mobilizemos contra a homofobia e o machismo


Publicado originalmente no Jornal Palavra Operária, n° 109
(http://ler-qi.org/Mobilizemos-os-trabalhadores-e-a-juventude-contra-a-homofobia-e-o-machismo)
Mobilizemos contra a homofobia e o machismo

Passado o primeiro turno das eleições para presidente, uma certeza se generaliza aos LGBT, mulheres e negros: nossos direitos elementares novamente seguem relegados aos interesses das bancadas fundamentalistas e setores conservadores. Enquanto cada dia surge um novo caso escandaloso de assassinato de LGBT, como foi João Donati e agora Geia Borghi, ou mesmo o escancarado desaparecimento de Jandira e sua morte por aborto clandestino, nos debates eleitorais eram disseminados abertamente discursos de ódio homofóbicos e defesas incansáveis contra o direito ao aborto.

Contrários às manifestações de Junho de 2013, que foram verdadeiras porta-vozes dos escandalosos casos de machismo, homofobia e racismo, nem Dilma, nem Aécio oferecem qualquer saída às opressões. Pelo contrário, apesar das promessas de “mudança”, se calaram diante das reacionárias e criminosas declarações de Levy Fidelix nos debates televisivos. Os mesmos alvos de Junho, Feliciano, Silas Malafia e outros continuam a em tecer comentários via redes sociais utilizando-se da fé religiosa de milhares de trabalhadores para propagar a ideologia dominante de negar a liberdade sexual e o direito à maternidade plena, assim como o direito ao aborto.

O debilitamento do PT fortalece polos à direita e à esquerda


Após a pressão da bancada evangélica pela retirada das pautas LGBT do programa de Marina Silva (PSB), o debate LGBT entrou com força nas eleições. Depois do desgaste que Dilma acumulou ao barrar o projeto “Escola sem homofobia”, nomear Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos e ter aumentado consideravelmente o número de assassinatos de LGBT em seu governo, a candidata demagogicamente afirmou pela primeira vez que a homofobia deveria ser criminalizada. Mas logo em seguida, mostrando que são palavras para ganhar votos, defendeu a Lei Geral das Igrejas que busca estender os mesmos privilégios das igrejas católicas as igrejas evangélicas, demonstrando que sua fidelidade é com os acordos e concessões aos setores mais atrasados do parlamento.

O resultado eleitoral do primeiro turno pode demonstrar que o forte questionamento ao PT desde as manifestações de Junho aprofundou polos à direita e à esquerda. À direita, Levi Fidelix que passou de 57.960 (0,06%) em 2010 para 446.878 (0,43%); o Pastor Marco Feliciano (PSC) de 211.855 (0,99%) para 392.674 (1,90%) votos; Jair Bolsonaro (PP) de 120.646 (1,51%) para 464.572 (6,1%); e Celso Russomanno (PRB) foi o deputado mais votado do país com 1.524.361 votos (7,26%). Assim, a bancada evangélica aumentou de 70 para 80 deputados no Congresso Nacional.

Por outro lado, à esquerda, a votação de Luciana Genro, que ficou conhecida por seus enfrentamentos contra Fidelix em defesa dos LGBT e dos direitos das mulheres, conquistou 1.612.186 (1,55%), duplicando a votação em seu partido, o PSOL. Assim como o deputado Jean Wyllys (PSOL) do Rio de Janeiro aumentou quase onze vezes sua votação, de 13,016 (0,2%) em 2010 para 144.770 (1,9%). Uma expressão importante de um sentimento progressista contrário a homofobia e ao machismo, que pôde em Junho ter força real para derrotar os planos de “Cura Gay” e o projeto de “Estatuto do Nascituro”.

Essa polarização mostra como o PT, ao se negar a defender os direitos democráticos mais elementares para sustentar os acordos com aliados obscurantistas, é responsável pelo fortalecimento eleitoral de expoentes reacionários da política brasileira.

As organizações dos trabalhadores e da juventude precisam tomar em suas mãos a luta contra a homofobia e o machismo

Se pudéssemos contabilizar o número de LGBT assassinatos somente durante as eleições poderíamos ver que enquanto se faz demagogia “por cima”, a realidade concreta dos “de baixo” segue sendo de discriminação e violência. Muito além dos assassinatos, agressões e mutilações, a péssima qualidade de saúde é responsável da morte de centenas de travestis e homens e mulheres transexuais pelo silicone industrial, a hormonização sem acompanhamento médico, etc.

O aborto clandestino segue como a quarta causa de morte materna no nosso país. Jandira foi um símbolo dessa situação que Dilma e Marina calaram durante todos os debates eleitorais. Enquanto seguimos lutando pelo direito à plena maternidade, para que as mães trabalhadoras possam criar seus filhos, com o trabalho doméstico se tornando responsabilidade do Estado e não como “função natural” das mulheres, milhares de mulheres morrem sem opção para criar seus filhos ou decidir não tê-los.

É necessário transformar esse sentimento progressista que se expressou nos votos no PSOL em um forte movimento de trabalhadores e jovens que façam a luta contra a homofobia e o machismo ser uma realidade viva nos locais de trabalho e de estudo, colocando os sindicatos e as entidades estudantis a serviço dessa tarefa. Luciana Genro, Jean Wyllys e as bancadas federal e estaduais do PSOL, para fazer jus aos votos que tiveram, devem se colocar a serviço da mobilização independente pelas demandas LGBT.

Em 28 de setembro, dia latino-americano de luta pela legalização do aborto, o Pão e Rosas foi linha de frente das manifestações no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. O contrário do PSOL e do PSTU, que, preocupados apenas com as eleições, não ligaram suas candidaturas desse dia mobilização pelas demandas democráticas.

Um exemplo a ser seguido e ampliado


Um pequeno exemplo dessa perspectiva está nos trabalhadores da USP, que durante mais de 116 dias de greve puderam abrir dentro da categoria um debate fundamental de combate às opressões. Foram com uma delegação de trabalhadores votada no Comando de greve ao ato em repúdio ao assassinato de João Donati e organizaram um debate com mais de 100 trabalhadores, em meio a greve, sobre "Machismo, homofobia e transfobia", uma verdadeira arma para construir dentro do movimento operário uma saída de fundo para as opressões.





Está nesta pequena expressão a chave revolucionária que pode responder de maneira consequente as opressões, partindo dos sindicatos e dos próprios trabalhadores tomarem em suas mãos, o combate a divisão de suas próprias fileiras, mas se colocando a tarefa de libertar a humanidade de toda forma de opressão no movimento da luta contra sua exploração.

GREVE USP: Debate sobre machismo, homofobia e transfobia







A heroica batalha da greve das estaduais paulistas, com centro na Universidade de São Paulo, produziu incontáveis exemplos do potencial revolucionário da classe trabalhadora em responder de conjunto os anseios da população. Seja no ato de doação de sangue que gritavam que "Enquanto os trabalhadores doavam seu sangue à população, a reitoria e o governo doavam sangue as empresas", ou com a doação de cestas básicas às vítimas do incêndio da favela do Piolho (SP) em meio ao ataque sofrido de corte ponto, com muitos funcionários sem receber um mês inteiro de salários, os trabalhadores davam mais visibilidade de que projeto de sociedade podem construir.

Entre tantas histórias e anedotas que grandiosas lutas deixam, se recuperou o fio de continuidade da tradição revolucionária de buscar uma saída operária para as opressões. Com o escandaloso assassinato de João Donati de Goiânia, os trabalhadores da USP agiram prontamente votando em seu comando de greve a ida de uma delegação prestar repúdio a homofobia e total solidariedade aos familiares. Carregaram no ato uma faixa que dizia "João Donati Presente! Punição aos responsáveis por sua morte! Abaixo a homofobia! Trabalhadores da USP em greve". Discutindo o papel da universidade em produzir ideologias que justifiquem a homofobia, seja "cientificamente" ou ideologicamente, os trabalhadores da USP se colocavam na luta para garantir a educação e a saúde a população LGBT, mas em confronto direto com inimigos dos setores oprimidos, que são os mesmos que os seus: governos, polícia, reitoria e o Estado capitalista.

Após o ato, a secretária de mulheres do Sindicato dos trabalhadores da Usp (SINTUSP) convocou uma atividade INÉDITA no movimento sindical, mesmo dentro da esquerda, para discutir "Machismo, homofobia e transfobia" reunindo mais de 100 trabalhadores, que no meio de sua greve, puderam ver a importância de ganhar aliados nesta batalha e que sua luta, enquanto classe, não poderia se desligar da luta pela emancipação do conjunto da humanidade, tendo os setores oprimidos na linha de frente.

Abaixo reproduzo o vídeo emocionante com o debate na integra, uma das mais profundas demonstrações do papel que os sindicatos devem cumprir para reconstituir a ponte entre os movimentos sociais e o movimento operário. Uma ideia condensada do que chamamos de hegemonia proletária, isto é, quando os trabalhadores se apresentam como a classe que pode revolucionar a sociedade, arrastando consigo as bandeiras dos setores que mais sofrem com o capitalismo.

Viva a vitóriosa greve da USP! Viva a aliança revolucionária entre trabalhadores e LGBT!
Pela livre construção de idetidade de gênero, pro um sexualidade livre e plena para todos!


Temporada de Caça (Documentário sobre a Operação Tarântula contra travestis)


Para os que não conhecem, um fantástico documentário da homo e transfobia no Brasil nos últimos anos de Ditadura Militar. O que ficou conhecido como Operação Tarântula era parte do Estado e de seu braço armado na caça as travestis e constante humilhação e assassinatos. Recordar para lutarmos sem ilusões neste Estado capitalista que em 2014 não reconhece a diferença de direitos entre pessoas heterossexuais e pessoas não heterossexuais, entre pessoas trans e pessoas não trans. Compartilho um instrumento de luta fundamental: nossa história.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Ato contra a homofobia, João Donatti PRESENTE!!!



Neste sábado, 13, nós do grupo de mulheres Pão e Rosas e Juventude ÀS RUAS estivemos presentes junto a delegação de trabalhadores da Universidade de São Paulo em greve em repudio ao assassinato do jovem João Donati!