sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

VÍDEO: DENÚNCIA - AVIANCA em atitude transfóbica impede travesti Virgínia de em...







Há cerca de um mês fui surpreendida pelo ótimo convite a participar da mesa de abertura de um dos principais encontros universitários para debater a temática LGBT. Como parte da minha vida como travesti e integralmente da minha militância revolucionária contra toda forma de opressão e exploração, aceitei o convite como parte de intervir num espaço muito importante que poderá servir para preparar e organizar centenas de LGBT em seus locais de estudo para fazer frente às bancadas fundamentalistas e tendem os acordos do governo de Dilma com Vaticano e setores conservadores que seguem negando os diretos humanos mais elementares como o reconhecimento da identidade de gênero, a livre construção de nossos corpos, o direito ao aborto e de exercemos nossa sexualidade como queremos.

Hoje, há exatos 4 dias antes do evento, tive que lidar melhor com um problema exclusivo de nós que somos ignoradas e silenciadas pelo Estado e os governos que só se comprometem com os interesses capitalistas. Fui informada pela empresa AVIANCA que não poderia embarcar, pois minha passagem estava reservada com meu nome social e que aparentemente eu não existia. Insisti que tenho alguns documentos como: laudos médicos (afinal seguimos patologizadas), crachá do trabalho já que a saúde pública hoje reconhece o nome social, porém como não há nenhuma responsabilidade do Estado de garantir nem ao mesmo o nome social a nível nacional, ou mesmo a elementar aprovação da lei da Identidade de Gênero, nos documentos oficiais é preciso estar em outra fase do tratamento com um processo judicial para garantir que minha vida real se expresse também em meus documentos e registros.

Não há solução. A empresa não pode ajudar, já que segundo eles o nome estava "errado". Questionei se não havia nenhum diálogo ou compreensão sobre a inclusão e o respeito ao nome das travestis e transexuais, uma vez que é extremamente constrangedor o uso do nome de registro. Não há solução.

É óbvio que nos travestis raramente utilizamos os aviões para realizar as viagens. Essa seria minha segunda viagem graças ao evento que arcou com as despesas. Muitas de nós não temos direito a coisas elementares como a saúde e a educação básica, estamos todas com a perspectiva de vida reduzida a 35 anos pela violência, que muitas vezes é política de estado.

Não estar nessa atividade é uma das tantas privações que o capitalismo reserva as pessoas TRANS*. Não ficaremos calados a nenhuma delas! Pois a cada uma dessas, organizaremos milhares para alcançar a igualdade na lei, sem esquecer o grande caminho que teremos de trilhar até essa igualdade se estender a vida. E a vida se estender a plena realização das potencialidades humanas, o que só poderá ser dar com a derrocada do sistema capitalista.

Pela aprovação da lei de identidade de gênero já!

Pelo direto a construção de nossos corpos e nossa sexualidade!

Pela separação da igreja do Estado! Fim de todos os acordos entre Brasil e Vaticano!

Por um governo dos trabalhadores que garanta a saúde e trabalho de qualidade para todos!



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